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Mostrando postagens de agosto, 2023

(não é) sobre vinis

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sua imagem ioiô, vai e volta, feito disco arranhado na vitrola do meu sentir. agarrada ali naquele momento sonoro, persiste nas mesmas notas.  quase parece remix de uma velha história conhecida em outros tempos, que já não é o agora.  o disco antigo que conta nas suas marcas, a passagem de vida, testemunha de afetos, que não quer deixar ir pra outro tempo, o seguinte, diferente.  novas notas, sons. palavras que cantam as próximas rimas descompassadas.  signos significantes significados. tudo misturado e isolado. não é possível compartimentar sentimentos inscritos. tem uma canção bonita que me toca o coração, mesmo emperrada na repetição obsessiva, ansiosa... aquela, do encontro. o enlace de neuroses ambivalentes sonoras... a verdade é que nem Freud e nem Lacan ajudam nesse desenlace. tampouco Jung e seus símbolos. sonhos! essa nossa música dessincronizada, já foi marchinha, bossa, balada, samba... e, agora é blues, choroso, pedindo jazz, preso no arranhad...

vontades sitiadas

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na cidade acesa segunda  feiras amarelos e vermelhos te vi atravessar-me, contornos como  flecha rasgou-me  estômago coração mente primeiro deixou-me borboletas segundo depois as flores, aquelas vermelhas  terceiro seguinte nós barulhentos atravessamentos cruzou-me as vias fantasias que vesti pra te ter em mim levou um tanto naquele dia pra si meu chão  tirou-me o ar ofuscou-me as vistas confusas  amazonas noutro  canto cidade iluminada no trânsito   circular dor senti seu sopro invadindo-me os pulmões  sendo sugada  pela vida, sua flechas e setas linhas cruzadas  paralelas  que não se encontram assombrou-me a presença ausente do não perdido vazio do que nunca tive  e não pude ter no assoalho, quereres repartidos vidros quebrados pedaços  do laço, o mesmo que amarrei, um dia com arruda a história  laia ladaia sabatana ave maria dizia a ladainha  mania de você  atravessamos, juntos avenidas você lá ...

o peso de ser

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olhei pra possa d’água no chão de asfalto e vi o céu sob os meus pés.  naquele momento, senti que pisava no céu, desafiando a ciência do tangível, ali, com os pés no chão eu flutuava no céu de agosto, perdida em meus rios. me senti, naquele instante, recorte de vida, parte de um todo sem barreiras e fronteiras, sem contornos.  não pertencia ao espaço tempo como posto, era outra dimensão possível do existir.  não era mais eu, meu corpo restrito a um plano, mas era eu no todo, diluída nas águas de dores e alegrias que mergulhei e emergi, sempre diferente, até ali.  o céu de abril, tão bonito e azul, me trouxe dores, o céu de agosto, onde agora piso, igualmente.  interrogo-me num pranto fundo, baixinho, acalentado por toda a vida que acontece e resiste, desde antes, muito antes, até as que vem agora e renascem, em tudo que respira e que é carbono, essas partículas todas que somos, poeiras de estrela, purpurinas,  interrogo-me, sendo tudo isso e nad...