(não é) sobre vinis
agarrada ali naquele momento sonoro, persiste nas mesmas notas.
quase parece remix de uma velha história conhecida em outros tempos, que já não é o agora.
o disco antigo que conta nas suas marcas, a passagem de vida, testemunha de afetos, que não quer deixar ir pra outro tempo, o seguinte, diferente.
novas notas, sons. palavras que cantam as próximas rimas descompassadas.
signos significantes significados. tudo misturado e isolado. não é possível compartimentar sentimentos inscritos.
tem uma canção bonita que me toca o coração, mesmo emperrada na repetição obsessiva, ansiosa... aquela, do encontro.
o enlace de neuroses ambivalentes sonoras... a verdade é que nem Freud e nem Lacan ajudam nesse desenlace. tampouco Jung e seus símbolos. sonhos!
essa nossa música dessincronizada, já foi marchinha, bossa, balada, samba... e, agora é blues, choroso, pedindo jazz, preso no arranhado desarmonizado com cerveja e mais um paiol à meia luz.
interrompida pelo arranhão das contingências... a nova faixa: o desencontro.
eu queria que coubessem meus quereres, seus quereres, numa orquestra inteira, límpida, sem ruídos.
mas, não é possível existência no disco da nossa trilha, sem arranhões, se bem vivida e, dentre outros vícios, somos viciados em viver.
é que, por onde passa viver, há rastros do uso, desgastes, o que torna mais real tudo isso, menos ideal.
não quero mais idealizações, senão pra continuar seguindo as novas canções que me permito, como faróis ou girassóis de Van Gogh em busca do sol depois da tempestade.
será que esse arranhão uma hora libera a faixa pro giro bonito no toca-discos? o retorno pro (re)conhecido ali refletido?
circular, movimentar novas músicas, de uma pra outra e outras. o fluxo do tempo contra tempo.
quero consertar o bendito vinil arranhado, mantendo, porém, aquele chiado, de quem viveu noutros tempos, mas, ainda assim, persiste vivo, cantando belezas da vida.
essa nossa canção precisa encerrar. porém, tenho apego à coreografia que ela me faz dançar, sem timidez.
eu ainda não sei como resolver essa questão de LP problemático.
vem cá me ajudar?
Um poema doce e sensível como você, amei !
ResponderExcluirnhooom, brigadaa poxa 💛
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