intervalos purpurina
será que queremos mesmo fantasias eternas? acredito que não. como saborear a especialidade da fantasia se ela se repetisse feito um dia ordinário qualquer? é preciso espaço pro fantasiar-se. entender a preciosidade dos momentos pede que eles sejam flutuantes, feito navegante no mar aberto de possibilidades, amores novos e velhos, em cada porto. chegadas e despedidas. um fantasiar eterno não passa de outra forma de prisão, talvez, colorida, mas, ainda assim, prisão. a certeza da efemeridade de qualquer instante é o que lhe confere a beleza única do inédito, do que foge ao comum a cada um. aquele desconhecido que mora no horizonte além-mar, move os corações navegantes rumo ao que não se pode ver, senão cruzando a linha exata do beijo do céu no mar e novamente e novamente. é possível retornar? nunca como antes. o que foi não será igual na próxima onda. inclusive, desconfio, reside aí o que tem de bonito nesses giros espirais: há sempre algo, aquela pitadinha de inédito, que...