palha assada de seriedade
pra que nos levarmos tão a sério? a vida tá correndo solta a cada pedaço de horinha, em descontrole, aleatória aos ternos e reuniões e máscaras e poderes e títulos e convenções. cada dia vivido ou não vivido é um a menos. no final das contas a gente tá sempre perdendo. melhor mesmo, portanto, é abraçar a glória de não ser vencedor – a não ser em pequenas partes fragmentadas. viver como quem se vive só vivendo, sem tanta seriedade na interpretação do papel de si, dos outros. encarando a peça que ensaiamos todos os dias que nos respira a vida, com menos formalidades e burocracias e desperdícios de afetos. buscar mesmo a alegria que existe na tristeza que permite saber-se alegria, a alegria, pelas lentes do contraste, sempre ambivalentes. todo mundo perdendo-se um bocadinho no caminho pra se encontrar. entende? é na perda de tudo de cada um de todo mundo que residem os intervalos possíveis para os encontros dentro dos desencontros, esses lugares de restos e de...