desconstruir é caminhar: das pequenas revoluções todo dia
despedidas... venho de alguns anos de escolhas que exigiram quebras e perdas, muitas! com cada uma delas, um pedaço de mim que deixei pra trás junto de histórias e crenças e ideias e pessoas e mais um tanto de coisas, despindo-me, rasgando as camadas, pra esvaziar. o vazio. me vi cara a cara com ele muitos dias desde então. me furei inteira, vi-me peneira, com as sobras de mim, vendo um tanto de mim escorrer pelos furos, deixar ir. precisei de coragem, porque sempre houve medo. muito. desapegar dói, amputa-nos de alguma forma. leva embora nas águas a imagem familiar do espelho. é isso, não me sobraram muitas coisas conhecidas, na verdade, quase nada. permiti que o estranho -- familiar em algum lugar dentro de mim -- emergisse rompendo muitas barreiras de peles sobrepostas da caminhada até aqui vivida. entendi que crescer exige energia, paciência, coragem, força e vontade, um certo comprometimento com o desapego da tal roupa que não cabe mais, como diz a canção do Belchior,...