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Mostrando postagens de julho, 2023

caminhos espirais

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de quantos erros somos constituídos?  essa pergunta me veio à mente, como fantasma sussurrando algo a ser realizado, numa sexta-feira sem fim.  deixei me tomar, me enevoar e fluir os pensamentos, sem intervir. pois bem.  pensei que somos um bocadinho de muitas decisões, inclusive, algumas que não foram nossas, mas que nos marcarão por todo caminhar.  e sabemos daquela velha sentença: pra cada escolha uma renúncia. encruzilhadas... apostas. quantas renúncias nos tornaram quem somos hoje e quem seremos no próximo minuto? me peguei pensando nas reflexões de Milan Kundera acerca da insustentável leveza do ser e sobre a qualidade positiva e negativa do peso e da leveza: essas renúncias e erros que nos constituem, pesam ou, ao contrário, nos tornam mais leves? e os supostos acertos? com nosso conjunto de escolhas, uma infinidade de "e se" remanescem do que nunca foi e nunca será.  porque, nas encruzilhadas, só é possível um sentido a ser tomado. ainda não ...

contornos e bordas

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estive revisitando nossa história. passeei pelas esquinas dos acasos e pelas avenidas contornos da mistura boa da gente em nós. sentei numa das praças circuito do gozo e procurei entender como eu tinha chegado ali, naquele giro volta. olhei pro céu e tava azul, da cor daqueles dias quentes passados na chama mais quente tem ternura e tem malícia e tem som de bolero cantado em espanhol e brasilidade mineira no lagoinha. tem barulho no coração de tamborim e caixas e trompetes e purpurina em cada parte do céu  que a gente criou juntos, um dia, pra viver num tempo diferente daquele permitido no recarnaval dizia o bilhete com a minha caligrafia de ébria equilibrista na corda bamba do vazio oscilante. rebeldes, inventamos o possível dentro do impossível.  um mundo sem regras chatas, na verdade, uma só: honestidade. compromisso com-sentir. sentido. fantasias... minha com lantejoulas na sua com farrapos na minha, na nossa, inventada  do genuíno que é se enc...

fanfic da paixão

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escolhi passear com minha paixão reversa pelas ruas. é isso. eu e minha paixão reversa. a tristeza do abandono estruturante de mãos dadas comigo, sem brigas. nos entendemos hoje. eu disse pra ela: tá bem, não vou te pedir mais pra ir embora, já entendi que você quer permanecer, especialmente porque eu quero que você vá embora. então, podemos sair um pouco juntas mesmo, por outros lugares dessa cidade? ela topou. e agora, a gente faz isso. damos sorrisos juntas da nossa falta de sorte. eu querendo a paixão e a paixão reversa me querendo. como na quadrilha de Drummond, com poesia na roda. entendi que, às vezes, resistir é tão nocivo quanto desistir, sobretudo quando a gente quer que algo se vá. a aceitação é sempre uma saída possível também, na encruzilhada, quando sabemos que o que se resiste permanece objeto da nossa energia libidinal. então, eu disse: eu me rendo. fiz um furinho na fanfic criada que dei o nome de paixão. e foi exatamente esse furinho que deu espaço pro...