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"dentro de mim é revolução"

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Perguntei para algumas mulheres da minha vida, um tempo atrás, de todas as idades, cidades e realidades diferentes, quais foram as pequenas revoluções cotidianas que promoveram em suas vidas e transformei tudo em texto, que por si só, é prosa poética das mais lindas, visto que preenchido de realidades escolhidas e resistência diária, para existir desejante em uma sociedade na qual conhecemos a opressão desde o útero materno.  O resultado foi esse texto lindo, feito do ordinário, que em verdade, é onde faz morada o que se faz de mais extraordinário, que compartilho agora com cês, porque é boniteza demais pra ficar escondido.  Também é um convite para que celebremos as pequenas conquistas corajosas que nos aproximam da nossa autenticidade todos os dias. As revoluções existem, persistem e transformam. Grata a todas as mulheres que colaboraram, gentilmente, com seu tempo e se propuseram se abrir comigo sobre suas belezas. Vocês me inspiram.  A vocês todo meu amor....

desconstruir é caminhar: das pequenas revoluções todo dia

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despedidas... venho de alguns anos de escolhas que exigiram quebras e perdas, muitas! com cada uma delas, um pedaço de mim que deixei pra trás junto de histórias e crenças e ideias e pessoas e mais um tanto de coisas, despindo-me, rasgando as camadas, pra esvaziar. o vazio. me vi cara a cara com ele muitos dias desde então. me furei inteira, vi-me peneira, com as sobras de mim, vendo um tanto de mim escorrer pelos furos, deixar ir. precisei de coragem, porque sempre houve medo. muito. desapegar dói, amputa-nos de alguma forma. leva embora nas águas a imagem familiar do espelho. é isso, não me sobraram muitas coisas conhecidas, na verdade, quase nada. permiti que o estranho -- familiar em algum lugar dentro de mim -- emergisse rompendo muitas barreiras de peles sobrepostas da caminhada até aqui vivida. entendi que crescer exige energia, paciência, coragem, força e vontade, um certo comprometimento com o desapego da tal roupa que não cabe mais, como diz a canção do Belchior,...

o triunfo do miojo: são tempos difíceis para os sonhadores

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O mundo de hoje, tal como posto, não tem espaço para os idealistas. Para os que rodeiam. Que circulam. Que se interessam por ideias e, sobretudo, pelas pessoas por trás das ideias. O mundo de hoje é do fazer e acontecer. Do rápido. Da solução sem problematização. O mundo de hoje não abre espaço para pensar por pensar. Para o questionar-despertar. O mundo de hoje quer flores sem ciclos. Quer florescer sem experimentar o experenciar processos. É o mundo do instantâneo, das soluções rápidas e práticas. Do não aprofundamento. O mundo de hoje é do mergulho no raso. É do poso no limite imposto, do processamento que não constrói e nem desconstrói, que reclama números e resultados. Que domestica o pensar e agir pela lógica do lucro. O mundo de hoje é do caminho mais rápido. Da subida mais fácil. Nem partida, nem destino. Nos caminhos fáceis e curtos, não há espaço para falta e, portanto, pro desejo. Só demandas! E respostas e demandas, até a exaustão. No mundo de hoje não cabem f...

folhetins foliões

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guardei numa caixinha tudo que sobrou de nós.  acordei decidida a te velar ali, naquele caixãozinho de memórias. coube tudo.  parecia muita coisa, antes. hoje, percebi que muito pouco resistiu ao tempo, tempo transformei migalhas em um grande banquete. te fiz um castelo, te coloquei num trono e te coroei Rei dos meus dias. te adorei. tudinho eu com meu desejo de-lírios escolhi alguns, pro funeral da nossa história. é que, você não merecia o reino bonito que criei pra gente na verdade, você não tinha afeto e coragem e força e vontade suficientes pra governá-lo comigo. nunca teve.  percebi isso outro dia desses, andando por algumas ruas que ainda tem glitter no chão, espelhos fracionados em pozinhos cintilantes criados eu quis, ser pra você, kiss ser star, brilhar brilhar luz viva e pulsante e colorida em ressonâncias de amores, você não quis-me feito novelo de lã nunca usada pra tecer encontros, você me enrolou. deixou a ponta solta sempre no vela. entende? nun...

smoke

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cemitério tenho um, aqui veste smoke roupa sinal de fogo que não veio a não ser ali no crematório de perdas smoke e brasa queima tudo, até a ponta última de anel ônix rituais de fogueira entropia pra ir virar cinzas de quarta-feira emoções prenúncios coloridos das perdas hoje memórias sobre o smoke

orações das palavras avessas

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  toda vez que escrevo, coloco-me do avesso nas palavras. a cada letrinha, um pouco do que carrego por dentro é exposto e apresentado à vida. é um ato de coragem escrever com as vísceras. estive pensando nisso. colocar-se desnude no texto do existir, entregue antes de tudo, um ato de honestidade com a história, em matéria pura, que a gente carrega no corpo desde que foi respirado pela vida. as palavras no lado certo, são mente. e olha, ela, muitas vezes, mente. quando tomam formas no ato de escrever, entregam-se desnudes porque ganham vida própria e livre árbitro pra dizerem de si. elas tem sangue, pulmões, coração elas pulsam. o meu avesso é bailarino rebelde, não me obedece, dança a música que quer, como quer e cria ritmos sintonizados com o coração de cada palavra tem alma. e pernas e braços e voz. ora grita, ora sussurra. se agrupa em letrinhas nos acordes do sentir sempre indo sentindo sentido. derramam-se. tantas vezes, é esse avesso sanguíneo, que me pega...

pra dar nome

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  quis dar nome pro sentir, fiz silêncio pra ouvir, tinha vontades próprias voz. não ouvia bem na neblina do ar, precisava do escuro pra ouvir melhor, porque ele não queria ser visto, talvez, sentido pra onde? os ruídos atrapalhavam o entender. por mais que eu quisesse, não era suficiente, o nome... por que preciso? contornar, dar bordas, pra que possa transbordar seguir. por isso preciso ouvir, seu nome, no escuro. onde os sentidos são chamados de outras formas. eu não sei se ele estava pronto, esse sentir, pra ser sentimento...  faltava-me vocabulário – tantas vezes eu preciso inventar palavras para as formas novas que me tomam o coração de mim. mas, como? um dicionário todo de afetos que atravessam vou escrever um dia, com neologismos bonitos. para tanto, preciso de coragem pra me permitir viver sem apego aos enredos e narrativas. só sentir estar no momento, sem julgamentos ou racionalizações. colocar-me como plateia da dança que fazem no meu...