intervalos purpurina
será que queremos mesmo fantasias eternas? acredito que não.
como saborear a especialidade da fantasia se ela se repetisse feito um dia ordinário qualquer?
é preciso espaço pro fantasiar-se.
entender a preciosidade dos momentos pede que eles sejam flutuantes, feito navegante no mar aberto de possibilidades, amores novos e velhos, em cada porto. chegadas e despedidas.
um fantasiar eterno não passa de outra forma de prisão, talvez, colorida, mas, ainda assim, prisão.
a certeza da efemeridade de qualquer instante é o que lhe confere a beleza única do inédito, do que foge ao comum a cada um.
aquele desconhecido que mora no horizonte além-mar, move os corações navegantes rumo ao que não se pode ver, senão cruzando a linha exata do beijo do céu no mar e novamente e novamente.
é possível retornar? nunca como antes.
o que foi não será igual na próxima onda.
inclusive, desconfio, reside aí o que tem de bonito nesses giros espirais: há sempre algo, aquela pitadinha de inédito, que existe quando se retira todas as camadas do comum.
aquilo que o espelho não reconhece mais a cada piscar de olhos. somos capazes de desdobramentos infinitos pra uma vida só.
sempre descobrindo algo do outro, algo de nós, encrustado na conchinha do mistério: a pérola.
fantasiar pede abertura para olhos que não têm a pretensão de saber-se tudo, ainda que se tenha vontade.
novas rotas, mesmo que já conhecidas, são possíveis.
o céu do trajeto não será o mesmo, o ritmo das ondas tampouco, o brilho daquele instante precioso do sol, inesquecível, será diferente. outros tempos se apresentarão.
tempo ternura, que cabe o espaço inteiro de encantos e abalos e calmarias. que entende o amor além das suas regras e cede, permite, transborda-se em minutos inventados pro der(r)amar histórias.
a fantasia reside nesse tempo curtinho do bonito que vibra a certeza do que é bom demais pra ser verdade na rotina e que, sabe-se, incerto, findará pra renascer a cada momento. não na inteireza idealizada e pouco provável... sim naquele recorte de tecido precioso que enfeita a roupa, no detalhe.
a fantasia não pode ser eterna e essa é a coisa mais linda dela todinha.
São tantas belezas.
ResponderExcluiro céu do trajeto não será o mesmo, o ritmo das ondas tampouco, o brilho daquele instante precioso do sol, inesquecível, será diferente. outros tempos se apresentam.
Repito as palavras da Mari: são tantas belezas aqui.
ResponderExcluirEscolho esses trechos tão bonitos:
"inclusive, desconfio, reside aí o que tem de bonito nas idas e voltas: há sempre algo, aquela pitadinha de inédito, que existe quando se retira todas as camadas do comum.
aquilo que o espelho não reconhece mais a cada piscar de olhos. somos capazes de desdobramentos infinitos pra uma vida só.
sempre descobrindo algo do outro, algo de nós, encrustado na conchinha do mistério, a pérola"